Fico chocado toda vez que entro nos stats do “Como ser cool“. Entre as palavras mais procuradas nos sites de busca pelas quais vocês acabam entrando aqui, estão Azealia Banks (sendo que eu nem sei se gosto dela), Simone+Natal (hahaha amei isso, tão fubango), Gal Costa (pois!). E, principalmente, mais do que todas as outras… Hipster. Ou hipsters.
Não sei se o interesse vem de “vamos exterminar essa raça” ou de “ai, meu Deus, será que eu sou um hipster?” ou de “puxa, será que o cara que eu estou a fim é hipster?” ou de “eu com certeza sou um hipster, mas vou ler mais sobre o assunto só pra me inteirar”. Não importa, essa palavra é muito importante pra você, leitor. Eu, como jornalista formado ávido por sempre dar a informação que o leitor quer (leia-se: ávido por audiência HAHAHA), cheguei à conclusão que preciso te contar não apenas como ser cool… mas como ser hipster. Oh, man. Fudeu, né?
Bom, eu achei um artigo muito interessante, apesar de não concordar em tudo com ele, no “Wiki How“. Ele te explica – é, pois é – como ser hipster. Mas saiba que, assim como ser cool, ser hipster não é algo que se aprende na escola. É tipo samba. Tem que ter um certo talento – e digo mais, até um certo physique du rôle ajuda!
Vamos a uma leitura crítica do artigo?
. Gosto da primeira parte em que ele coloca a problemática de “querer ser hipster”, sendo que em teoria isso seria um “estado natural”. O hipster tem um nonchalance, um ar blasé que não combina com alguém “querendo ser algo”. Aliás, não combina nem com empolgação. Vai num show cheio de hipster pra você ver – e se entediar…
. Acho estranho como eles não fazem uma leitura crítica sobre a alienação. A imagem que eu tenho do hipster é de um jovem adulto de classe média alta que tem grana e se propõe a consumir (em âmbito cultural incluindo moda, comida etc.) coisas que não estão no circuitão. A tal da cultura do under (abreviação de underground). Com isso, também dá pra incluir exposições de arte alternativas, música alternativa. MAS isso não quer dizer que o hipster seja politizado. Aliás, pelo contrário: o que eu observo é que o hipster, indivíduo do seu tempo, até embarca em alguns, como chamar… movimentos sociais, do tipo vegetarianismo, “salve o Belas Artes” etc. Mas isso não quer dizer que ele seja ativo politicamente. A postura blasé não combina com atividade política.
. O texto coloca a questão da idade. Passar dos 30 indica que a sua fase hipster passou? Se sim… UFA! Tô chegando lá! Mas você concorda? Eu realmente não sei.
. Interessante trazer à tona o fato que o hipster é, por excelência, o early adopter. Inclusive, isso me lembra a minha fase mais hipster (a gente se autodenominava indie, mas sei lá, não é igual?) em que algumas pessoas ficavam bravas quando algo começava a fazer muito sucesso, virar mainstream. Tipo “ai, agora o show daquela banda está ficando cheio demais”. O legal era/é… NÃO fazer sucesso. Que loser, né? Odeio esse pensamento.
. Bem colocado também esse apreço ao retrô. O artigo chama de “Fazer o que é velho ser novo de novo”. Uma vez que o hipster é um early adopter, ele inclusive traz o “antigo pro novo” antes. Exemplos: óculos com armação tartaruga; câmeras tipo Lomo, Diana e Holga; roupas de brechó em geral. Eu gosto, mas tem exageros mortificadores. Lembro que tinha uma menina em 2001, 2002, que a minha turma chamava de “menina que se veste de cortina“. Ela sempre estava com um vestido de brechó estampadinho. Parecia cortina mesmo, e não tão glamurosa quanto Scarlett O’Hara.

"Mini Diana / todo hipster quer / duzentos reais / pra gastar mais dinheiro com filme" - xi, não rimou
. Acrescentando: o que eu gosto mesmo é quando o retrô e o novo se encontram. O exemplo mais hypado hoje é o Instagram, que reproduz o efeito de câmeras analógicas em filtros no formato digital – de quebra, é também uma rede social onde você pode seguir outros “fotógrafos“.
. Não concordo muito com essa coisa dos hipsters terem em sua essência “rejeitar o consumismo“. Acho que eles rejeitam o consumismo mainstream, isso sim. Fogem de tudo quanto é blockbuster, de qualquer marca que venda pencas pra gente rica. Esteticamente, o que é legal pro hipster é o que não é legal pra patricinha, pro pitboy e pro pessoal da firrrma. Mas isso não quer dizer que ele gaste pouco…
. Gosto das referências culturais que eles dão: “Vice“, “AnOther Magazine“, “Wallpaper” (acho que essa nem tanto, hoje em dia), Jack Kerouac, Allen Ginsberg, Norman Mailer, Wes Anderson. Bem hipster mesmo. Aliás, acho Wes Anderson muito mais hipster do que Quentin Tarantino. Pros hipsters brasileiros, acho que faltou Charles Bukowski – os héteros idolatram. Os gay nem tanto… Faltou um molhinho francês também: “Jules e Jim“, algo assim.
. Amo o resumo da moda hipster: skinny jeans, camiseta irônica, camisa de caubói, Wayfarer, estampa de animal (mesmo, não animal print, mas a “cara” de um lobo, por exemplo), estampa de personagens infantis, moletom com capuz, bota de caubói, Converse (ou qualquer tênis com sola baixa), look em camadas (que eu chamo carinhosamente de look cebola), colar com pingente de pássaro (ou de gaiola, VERY HIPSTER!). Por aqui, especificamente, eu incluiria uma menção muito honrosa à camisa xadrez. Tanto que temos o incrível Tumblr “Indie ou sertanejo???“. Amo esse Tumblr.
. A parte de “como os hipsters se expressam” é altamente irônica (quer dizer, assim espero). Será que eles (nós?!) ainda são assim? Jura que uma pessoa continua fazendo namedropping sem ser irônica e não fica morrendo de vergonha de ser pedante? Se bem que às vezes rolam uns namedroppings aqui nesse blog…
. O senso de humor hipster é exemplificado no artigo como o de comédias inglesas. Não concordo. Ingleses são exagerados na comédia muitas vezes (tipo Jennifer Saunders, we love you, dahling!). O humor do hipster está mais pra… “Seinfeld“.
. Cansei. Essa porra é muito longa.
Pra distrair um pouco… um velho sucesso do Bonde das Impostora.
Ops, eles estão falando de indies, e não de hipsters. Mas dane-se.


Gostei do texto!ho que tem muitos hipstrs no meu face. hahah
Publicado por jota c. | janeiro 12, 2012, 2:43 pm